domingo, 21 de setembro de 2008

"Do chão não passa...'

De tempos em tempos eu tenho saudades da minha época de bailarina...

Saudades de sentir o pleno domínio do meu corpo ao executar um adágio bem feito. Saudades de como eu me sentia "em casa" quando me colocava na barra... Saudades da liberdade de poder interpretar fadas, princesas, rainhas... árabes, flores e flocos de neve, quase tudo num mesmo espetáculo.

Saudades do sentimento único e quase inexplicável que é ter somente um foco de luz a me iluminar, como se eu tivesse o poder de guiá-lo com os meus passos...

Mas principalmente, tenho saudades dos aplausos.
Aquele som que coroa todo o esforço e nos faz esquecer da dor e do sofrimento que tivemos antes de chegar ali. Batidas de mãos que se transformam em música e nos elevam à glória.
Sim, sinto falta dos aplausos... o grande reconhecimento do artista...

Longe do palco, aqui na vida real, ser reconhecido é quase tão difícil quanto fazer uma série de 32 fouettés com uma sapatilha de ponta...

Sabe, durante anos eu tive uma professora que sempre que pedia um movimento que necessitava de mais destreza do que o normal, ela nos confortava com a frase: "se cair, do chão não passa"...

Lembrei disso porque muitas vezes tentamos nos arriscar com "passos difíceis" e parece que alguma força externa - muitas vezes não-identificada - nos passa uma rasteira e PLEFT! Vamos ao chão!

São tombos pequenos que acontecem no trabalho, na vida pessoal, nos nossos projetos e empreendimentos... São tombos que às segundas-feiras, nos fazem entrar no carro e pensar em dirigir até acabar a gasolina...

Como nem tudo é tão ruim quanto parece, mantendo um pouco de juízo na cabeça, você acaba enfrentando mais um dia e quando volta pra casa imaginando como as coisas podiam ser diferentes, o rádio lhe presenteia com Dias Melhores, do Jota Quest.

Aquela frase da antiga professora de ballet volta à tona: "se cair, do chão não passa...". Ela estava certa!

Enquanto buscamos reconhecimento por nossas ações e conquistas, os tombos inevitavelmente acabam fazendo parte do processo. O lado positivo é que o chão foi feito para nos apoiar e - graças à evolução humana - somos perfeitamente capazes de nos erguer novamente sobre nossos pés...

Jota Quest me confortou... e se esse não foi um bom dia, outros melhores virão!
Por Patricia Andrik